GAFAnomics Resultados [2º trimestre de 2021]

8 de Mai 2021

Neste GAFAnomics Resultados fazemos uma análise aos resultados do 2º trimestre de 2021 e aos principais movimentos estratégicos das empresas que lideram a Nova Economia. 

Neste segundo trimestre de 2021, os GAFA foram beneficiados com a pandemia e o confinamento, e isso explica os resultados recorde. À medida que a economia se recompõe, num cenário de incerteza sanitária e de regulação, estes gigantes continuam a crescer.

Neste estudo:

  1. Segundo trimestre de 2021, pela lente dos analistas da Fabernovel.
  2. Empresas tradicionais (LVMH, Nike, Disney e Walmart) e startups europeias adotam estratégias de inovação inspiradas no modelo dos GAFA.
  3. Cinco aquisições estratégicas em 2024 projetadas pela Fabernovel.

 

“No segundo trimestre de 2021, o setor tecnológico reforçou a sua liderança tanto a nível de operações, como em termos de capitalização bolsista. Sobretudo porque os gigantes americanos reforçaram o seu domínio em relação aos players asiáticos, que foram penalizados pelas novas regulamentações impostas pelo governo Chinês. Os gigantes americanos continuaram a provar a sua capacidade de inovação, apoiada por uma forte capacidade de manter ou mesmo aumentar o preço dos produtos e serviços.

Ao mesmo tempo, estamos a assistir a uma tendência estruturante que está a acelerar, com a inovação a ser impulsionada não só pelos principais players tecnológicos, mas também por grupos tradicionais que têm progressivamente adotado as bases estratégicas dos modelos GAFA. Estamos convencidos de que estamos num ponto de viragem para estas empresas tradicionais, que devem continuar a impulsionar a inovação para colmatar lacunas.”

Axelle Ricour-Dumas, Managing Director – Corporate Strategy na Fabernovel

 

 

2º Trimestre de 2021 pela lente dos analistas da Fabernovel

O Índice S&P 1200 mostra que a tecnologia está a superar todos os outros setores, com um crescimento de 12% no 2ºT de 2021, confirmando a sua resiliência. O setor já estava a crescer 25% em plena crise provocada pela pandemia no 2ºT de 2020. 

No 2ºT de 2021, os gigantes apresentaram bons resultados, com um crescimento médio de 11% no índice de empresas analisadas neste estudo pela Fabernovel. Atingidos pela “onda” de regulamentação chinesa, os gigantes asiáticos foram a exceção. A Tencent, por exemplo, desvalorizou quase 200 mil milhões de dólares no trimestre, caindo em bolsa 26%. 

“Com exceção das empresas asiáticas analisadas no índice da Fabernovel, os investidores estão a mostrar uma confiança renovada nos modelos tecnológicos, com um crescimento dos múltiplos de valorização. A Airbnb, por exemplo, conseguiu tranquilizar os investidores em relação ao seu modelo e ao seu potencial de desenvolvimento, apesar dos constrangimentos ligados à Covid-19, o que levou a que o seu múltiplo de valorização fosse revisto em alta 15% neste trimestre”, analisa Jean-Christophe Liaubet, Partner da Fabernovel.

O relatório trimestral da Fabernovel GAFAnomics Quarterly coloca também em perspetiva os pontos altos do trimestre e declarações de líderes. Por exemplo, a visão do CEO da Facebook, Mark Zuckerberg, que abre oportunidades para novos modelos e formatos, tais como a publicidade em realidade aumentada:

“Nos próximos anos, espero que as pessoas deixem de ver a Facebook apenas como uma rede social e passem a vê-la como uma empresa metaverso. Em muitos aspetos, o metaverso é a expressão máxima da tecnologia social”, explicou Mark Zuckerberg, CEO da Facebook.

No top: a Apple confirma o domínio no setor da eletrónica

“A Apple confirmou a liderança na indústria eletrónica, apresentando os seus três melhores trimestres de sempre que excederam as expectativas. A empresa alcançou um crescimento de receitas de 36% no segundo trimestre, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Mas a “sombra” da regulação e a escassez de componentes eletrónicos paira sobre a gigante Apple”, explica Pierre Gonnet, analista na Fabernovel.

A Apple é um exemplo perfeito de uma empresa que conseguiu prevalecer antes, durante e no fim da pandemia. Este desempenho é explicado pelo forte crescimento das vendas dos seus principais produtos, como o iPhone, que gerou quase 40 mil milhões de dólares em vendas. Ou seja, quase +50% em relação ao 2ºT de 2020. A escassez global de semicondutores é uma questão que a empresa terá de acompanhar nos próximos trimestres.

A Apple está também a ter sucesso no negócio de serviços, que têm um modelo de comissões associado (que variam entre 15% a 30%) aplicadas às receitas geradas pelas várias aplicações na App Store. Este segmento de receitas cresceu quase 33% em comparação com o ano anterior, representando um ganho inesperado de 17.500  milhões de dólares. A Apple terá de enfrentar o desafio das suas práticas anticoncorrenciais em todo o mundo. A Coreia do Sul foi o primeiro país a exigir às plataformas de aplicações que permitam a utilização de meios de pagamento alternativos nas lojas de aplicações

O flop: Tencent sofre golpe, mas resiste 

A Tencent tem sido fortemente impactada pelos movimentos do regulador chinês. Embora a empresa tenha apresentado um crescimento de 24% nas receitas, caiu mais de 24% em bolsa neste trimestre, revelando os receios dos investidores quanto à viragem regulamentar que o governo chinês está a tomar. A China aplicou multas e também reforçou a sua regulamentação com novas leis, incluindo a Lei de Segurança de Dados, aplicável a partir de 1 de setembro, e a Lei de Proteção de Informações Pessoais, em vigor a partir de 1 de novembro. O objetivo é reforçar o controlo sobre os gigantes digitais e regular as suas práticas anti-competitivas. As linhas principais estão definidas nestas leis, mas espera-se que sejam partilhados mais detalhes nas próximas atualizações, que cristalizarão o medo dos investidores e terão um impacto directo na valorização da Tencent neste trimestre.

A surpresa: Snapchat começa a conquistar parte do duopólio publicitário da Facebook/Google

A Snapchat surpreendeu toda a gente neste trimestre, ao tentar conquistar uma parte do duopólio publicitário da Facebook/Google. As receitas da empresa cresceram 116% (superando em 16% as expectativas) e o número de utilizadores ativos por dia atingiu os 13 milhões. A empresa cresceu 43% em bolsa. 

Este crescimento pode ser explicado por uma recuperação do mercado, por uma confiança renovada dos investidores nos modelos de negócios publicitários e pelo crescente envolvimento da Snap Inc. Por outro lado, é também explicado por um contexto em que a Facebook e a Google detêm entre 75% a 80% do mercado de publicidade online, o que leva também os clientes a procurar soluções para reduzir a sua dependência deste duopólio. Além disso, o Snapchat foi capaz de desenvolver o seu modelo e conseguiu crescer, expandindo a sua quota de mercado fora da Europa e da América do Norte. A empresa também continua a inovar, lançando novos formatos de realidade virtual que permitem às marcas chegar às suas audiências. Com isto, o Snapchat aumentou em 22% a receita média por utilizador, em comparação com o 2ºT de 2020 (de $2,74 para $3,35).

Empresas tradicionais e startups adotam modelos de negócio dos GAFA

Enquanto os GAFA (Google, Apple, Facebook e Amazon) estão a bater novos recordes, uma tendência estrutural está a ganhar ímpeto, com os players “tradicionais” a conseguirem diferenciar-se através dos efeitos da transformação digital levada a cabo nos últimos anos. Grupos como LVMH, Nike, Walmart ou The Walt Disney Company conseguiram tirar partido da recuperação no primeiro semestre do ano e colmatar as diferenças, adotando novos modelos frequentemente inspirados pelo GAFA. Os resultados líquidos destas empresas tiveram, assim, no primeiro semestre do ano, um desempenho notável com +913% para a LVMH, 96% para a Walt Disney Company, +79% para o Walmart e +12% para a Nike.

A LVMH beneficiou de uma recuperação em certos negócios chave, como o couro e a moda, mas também de uma aceleração nas vendas diretas e do lançamento de novas experiências e serviços. Mais amplamente, este é o resultado de uma notável estratégia de inovação em tecnologia, marketing e cultura. Com o projeto DARE, a LVMH iniciou um programa para fomentar a inovação interna e assegurar que esta conduza a novas fontes de receitas. O programa envolve 60 participantes internacionais das 40 marcas do grupo, incluindo as mais recentes iniciativas: “Canvas of the future”, uma carteira protótipo com um ecrã digital, e a “Nona Source“, uma plataforma para a revenda online de tecidos. O grupo LVMH está a aliar-se também a gigantes, nomeadamente à Google Cloud, para desenvolver modelos de previsão de vendas, otimização de stocks e experiências personalizadas.

Sem limites para chegar à Geração Z, desenvolveu o jogo “Louis The Game”, que permite ao utilizador descobrir a história do grupo e aceder a obras de arte digitais (NFT) durante a viagem. Este jogo, com mais de 500.000 downloads, ilustra a capacidade de inovação do grupo no marketing digital e na experiência do cliente.

A Walt Disney Company conseguiu inovar e lançar o serviço de streaming de vídeo Disney+. Adotando uma estratégia D2C (Direct to Consumers), o Disney+ foi lançado em 2019 e, em dois anos, conquistou metade do número de subscritores da Netflix. Através do Disney+, a empresa capitaliza a sua forte imagem histórica, posicionando-se como complementar ao líder de mercado Netflix. Com esta estratégia inovadora, está a recuperar o controlo do conhecimento dos seus clientes e a adotar um modelo de receitas recorrentes mais resiliente. O sucesso da Disney ao longo de um ano já não se baseia no desempenho único de alguns blockbusters, mas na evolução e coerência da sua mistura global de conteúdos.

Enquanto grandes grupos estão a acelerar a sua inovação interna, os novos players digitais também representam um terreno fértil para a inovação, para criar valor e reinventar-se perante os gigantes digitais. A boa notícia? O ecossistema de startups na Europa continua com uma dinâmica positiva, mantendo o interesse dos investidores. Este interesse é justificado pela aceleração de tendências estruturantes, relacionadas com o digital durante a pandemia, e pela capacidade de algumas startups europeias de deixar a sua marca durante este período.

Os números falam por si: na Europa, a captação de fundos para as empresas mais maduras aumentou 466% em comparação com o ano anterior, com o e-commerce, fintech, e-health e AI a liderar. O número de empresas “unicórnio” também está a explodir na Europa, onde existem 52 startups avaliadas em mais de 1.000 milhões de dólares (quase 20% do total de empresas “unicórnio”).

À medida que estes novos players crescem na Europa, será interessante encontrar sinergias com os grandes grupos “tradicionais” para continuar a acelerar a inovação. Ou seja, dar a este novo ecossistema uma oportunidade de crescer e criar alternativas aos gigantes digitais.

5 aquisições estratégicas em 2024 projetadas pela Fabernovel

“Existem várias estratégias de aquisição. Normalmente, os gigantes optam por estratégias defensivas de consolidação, através da compra de players idênticos aos seus mercados. Nesta nova economia, para que o tecido tecnológico europeu cresça, as startups e as empresas tradicionais terão de encontrar parcerias inovadoras e modelos de criação de valor para aumentar dez vezes o seu impacto. Em 2024, apostamos que este tipo de aquisição inovadora será comum e sugerimos que imagine como seria um casamento entre o CAC40 e as próximas 40 empresas de diferentes origens”, antecipa Cyril Vart, Vice-presidente executivo da Fabernovel.

Bem-vindos a 2024:

Accor e Qare: depois de entrar no coworking, a Accor está a entrar no setor da saúde. Ao juntar o melhor das práticas Qare online e da Accor offline, as possibilidades em torno das clínicas hoteleiras e da hospitalidade médica associada oferecem novos horizontes de inovação para o grupo hoteleiro.

A Schneider Electric e a Cityscoot estão a cruzar os poderes que as tornaram bem sucedidas na criação de software para hardware. A combinação dos seus serviços e perícia numa plataforma aberta poderia enriquecer a experiência dos clientes da Schneider Electric. Por outro lado, a Cityscoot poderia aproveitar o know-how da Schneider para aumentar a escala e tentar estabelecer os padrões de mobilidade urbana.

A Renault e a Lydia estão a celebrar uma aliança estratégica para reinventar a forma como os automóveis são vendidos e novas formas de os financiar. A Lydia é uma referência do Next 40 quando se trata de desenvolver e vender serviços financeiros centrados no cliente, nomeadamente em torno da subscrição, partilha, utilização…

Sanofi faz integração da Shadow, que permite uma melhor distribuição da potência do computador entre as suas salas de servidores e os dispositivos dos clientes – para melhorar o desempenho do seu produto, respeitando simultaneamente a segurança dos seus clientes, na era da saúde conectada e remota.

EDF e Ledger: a relação de preços é uma questão sensível para o consumidor no mercado da energia, onde as variações se devem frequentemente a fatores externos. A EDF associou-se à Ledger para reforçar a transparência e a confiança, utilizando tecnologia blockchain para controlar o custo da extração a partir de casa.

 

Se gostaria que este estudo fosse apresentado na sua empresa, contacte a FABERNOVEL:

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