GAFAnomics Resultados [2º trimestre de 2020]

21 de setembro de 2020

Neste GAFAnomics – Resultados fazemos uma análise aos resultados do 2º trimestre de 2020 e aos principais movimentos estratégicos das empresas que lideram a Nova Economia.

“O verão foi quente e fascinante no setor da tecnologia, que não fez quaisquer pausas. A revolução das valorizações, um dos temas principais do nosso GAFAnomics trimestral, esteve em pleno. As tecnológicas continuaram a devorar o mundo “alfa” e atingiram valorizações recorde. O bilião tornou-se o novo padrão para as capitalizações bolsistas dos GAFA, empurrando os seus fundadores para o topo dos clubes dos bilionários. Isto desencadeou um ressurgimento da vontade de entrar em bolsa de muitas empresas nos Estados Unidos e na Ásia”. – Jean-Christophe Liaubet, Managing Partner na Fabernovel.

Parte 1 – Os últimos três meses pela “lente” da Fabernovel

O Index Fabernovel da super-performance das Big Tech

Em termos de mercado financeiro, os GAFA representam por si só três vezes a capitalização bolsista de todo o CAC40 Francês. O setor tecnológico é mais uma vez o mais atrativo neste trimestre, com um crescimento de 25% (empresas S&P1200) logo à frente dos bens de consumo não essenciais (+24%). Mas as empresas do Índice Fabernovel* (que também inclui algumas empresas tecnológicas no ranking S&P1200) que analisámos neste GAFAnomics Resultados, que dispararam com um crescimento de 53%. “Este forte crescimento pode ser explicado pelo facto de os gigantes da tecnologia terem beneficiado da sua posição de liderança ao representarem um ‘investimento seguro’ para os jovens investidores dada a sua dimensão e o facto de serem financeiramente atrativos” –  Jérémy Taïeb, Financial Analyst na Fabernovel e co-autor do estudo. 

Bolha? A questão é essa.

Por um lado, a crise da COVID-19 acelerou o digital. As 20 empresas que estudámos registaram resultados sólidos com um crescimento médio de 12% nas vendas e de 5% no EBIT, durante o último trimestre, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior (em comparação com -6% e -14% respetivamente para o índice S&P 500), sentindo um impacto limitado da crise da Covid. No entanto, há cada vez mais provas de que o verão foi alimentado por uma onda especulativa e por efeitos técnicos ligados à explosão de compra em grandes volumes de ações, desencadeada por duas novas categorias de investidores de curto prazo: pequenos investidores dos EUA que utilizam novas aplicações de plataformas de investimento, como a Robinhood (fluxo estimado de 500 mil milhões de dólares) e a SoftBank, que se revelou ser a misteriosa “baleia da Nasdaq” que comprou opções de empresas de tecnologia no valor de 4 mil milhões. Isto levou a um forte aumento da volatilidade: 11 empresas do nosso índice GAFAnomics registaram um total de 199 alterações diárias na capitalização bolsista de mais de 10 mil milhões de dólares durante o verão, enquanto uma empresa na Europa só registou 2 alterações com variação equivalente. Parece provável uma rotação dos investimentos para títulos mais defensivos e de valor. Uma onda que poderia levar alguns títulos populares a consolidarem-se (Tesla, Zoom…) e beneficiar os GAFAs com uma valorização mais acessível.

No top: Spotify está atrair subscritores premium

O Spotify, o líder de mercado no streaming de música, continua a resistir ao ataque da Apple (que anunciou uma nova oferta de subscrição) e da Amazon, com 11% de crescimento de receitas e um crescimento 27% nos subscritores premium. A empresa sueca também bateu um novo recorde histórico com 299 milhões de utilizadores mensais ativos. Para além do confinamento que impulsionou toda a indústria de streaming, este crescimento é também explicado pelo sucesso na renovação da assinatura de contratos emblemáticos com a Universal e a assinatura de contratos com grandes nomes, como Joe Rogan, DC e Kim Kardashian.

A surpresa: valorização da Tesla “explode”

A capitalização bolsista da Tesla mais do que duplicou desde o início da crise Covid-19, tendo atingido 320 mil milhões de dólares no último trimestre. Em comparação, o gigante histórico General Motors não conseguiu recuperar ao seu nível pré-crise, e teve uma desvalorização de 15%. Pela primeira vez na sua história, a Tesla é rentável durante quatro trimestres consecutivos. Esta crise tem tido um efeito de alavanca no setor eléctrico porque acelerou a consciência da emergência climática. As medidas tomadas a favor do veículo elétrico pelo governo francês são um exemplo perfeito disto mesmo.

O flop: Uber com falta de capacidade de resposta

A Uber não conseguiu adaptar o seu modelo de negócio à crise sanitária. Enquanto a Uber Eats mantém a “cabeça” da empresa à tona, o serviço de motorista entrou em colapso com uma queda de 29% no volume de negócios causada pela onda de confinamento global. Para compensar a sua falta de capacidade de resposta, a empresa fez a compra tardia – no início de julho – da Postmates por 2,65 mil milhões de dólares: uma compra que não muda realmente o jogo, mas fortalecerá a proposta de valor da Uber Eats.

O confronto: TikTok versus Trump

Se o anúncio de Trump de proibir o TikTok em solo americano não passou despercebido é porque a aplicação chinesa é uma das redes sociais que cresceu mais rapidamente em escala, atingindo mil milhões de utilizadores em apenas 3 anos e conseguindo internacionalizar-se para além do seu país de origem. As consequências podem ser significativas, uma vez que 10% dos utilizadores ativos do TikTok está nos Estados Unidos.

Parte 2 – Forte tendência para o trimestre : as empresas anti-frágil resistem melhor

O principal ativo das empresas que atuaram durante a crise: a sua anti-fragilidade. Ser anti-frágil é ser capaz de se tornar melhor na adversidade mais imprevisível. Para se tornarem anti-fragil, as empresas tiveram de reforçar os seus 7 super-poderes que deciframos em pormenor no livro GAFAnomics que publicámos este verão “Compreender os super-poderes dos GAFA para jogar com as mesmas “armas” (em francês). Trata-se de :

#1 O cliente grátis: todos são clientes, mesmo aqueles que não são subscritores

#2 Reverse Design: os problemas são uma fonte de criação de valor

#3 Gestão pirata: uma nova forma de gestão de talentos

#4 A empresa magnética: capaz de agregar pequenas unidades de valor

#5 A empresa em tempo real: adaptação instantânea

#6 A empresa infinita: crescimento a custo zero

#7 A empresa íntima: personalização em grande escala

Estas empresas também investiram e aproveitaram os seus ativos intangíveis, tais como um talento ágil, uma infraestrutura reforçada, um ecossistema amplo e flexível, uma base de clientes fiéis e tanto o seu impacto ambiental como social. A Tesla tornou-se a fabricante automóvel com maior capitalização bolsista do mundo, uma vez que contorna os riscos associados à energia não-renovável.

Esta anti-fragilidade foi ilustrada em 4 setores de atividade em particular: saúde, entretenimento, distribuição e teletrabalho.

“A crise pôs em evidência várias disfunções nos nossos sistemas de saúde atuais (lentidão nos cuidados aos pacientes, falta de equipamento, etc.). Enquanto muitos gigantes da tecnologia observavam de perto este setor e davam os seus primeiros passos, com a crise mostraram a sua capacidade de reagir rapidamente e aproveitar estas oportunidades lançando iniciativas significativas”, explica Gabrielle Peyrelongue, analista na Fabernovel. Este é o caso da Apple e da Johnson & Johnson que trabalharam em conjunto para ajudar a detetar a fibrilhação auricular através do Apple Watch. Outro caso é o da Amazon e da Microsoft que ajudaram o serviço de saúde nos Estados Unidos a criar modelos baseados em dados em tempo real para optimizar a utilização de camas, ventiladores e profissionais de saúde em caso de crise.

No setor do entretenimento, os gigantes tiveram um bom desempenho com um forte aumento da procura, e demonstraram a sua capacidade de absorver e suportar picos significativos de utilização, mas também de oferecer serviços relevantes. A utilização de aplicações de mensagens do Facebook mais do que duplicou. Enquanto o Messenger e o Whatsapp registaram diariamente cerca de 700 milhões de chamadas, a Fortnite transmitia um concerto virtual do rapper Travis Scott a 12 milhões de gamers online.

No setor retalhista, o encerramento da maioria das lojas ajudou a acelerar o e-commerce, onde os gigantes continuaram a inovar em antecipação de novas utilizações. O Google lançou o Shoploop em julho: uma plataforma de compras através de vídeos (depois da chegada da Amazon Live, e da aquisição da Packagd pelo Facebook em 2019). A Uber Eats e o Carrefour uniram forças para facilitar a entrega de produtos alimentares.

Finalmente, o teletrabalho teve a sua primeira experiência à escala global, encorajando a adoção de ferramentas já existentes no mercado. O Slack ganhou 9 mil novos clientes pagantes, um aumento de 80% em relação aos dois trimestres anteriores. Apesar de algumas falhas de segurança e falhas nas infraestruturas, as empresas conseguiram ultrapassá-las, desenvolver ainda mais as suas soluções, e emergiram mais fortes da crise.

Parte 3 – Que “futuro razoável” poderíamos nós imaginar?

Fizémos um exercício de imaginação de um “futuro razoável”. O que significa razoável? Construir um futuro baseado em decisões que se baseiem em factos e dados, visando a equidade económica, culturalmente aceitável e consistente com os nossos valores individuais. Não se trata de fazer previsões sobre inovações futuras, mas de imaginar usos que se possam tornar os da nossa vida diária, uma vida diária desejada e fundamentada. Este futuro razoável e desejável deve ser antecipado desde as primeiras fases da conceção de futuros produtos, serviços ou modelos de negócio.

*Empresas analisadas neste trimestre: Apple, Alphabet, Alibaba, Amazon, Baidu, Facebook, Lyft, Microsoft, Netflix, Tesla, Paypal, Samsung, Salesforce, Snap, Spotify, Square, Twitter, Tencent, Uber e Zoom.

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