FABERNOVEL lança estudo “SoftBank – Vision Fund”

20 de Dez de 2020

A FABERNOVEL lança um novo estudo: “SoftBank – Vision Fund”. Depois de ao longo dos últimos anos ter analisado vários gigantes da nova economia, como os GAFA, Tesla, Uber, Slack, WeWork e o gigante asiático WeChat, este novo estudo traz a perspectiva de investimento de forma massiva em empresas que estão a liderar grandes tendências e que é feito de uma forma muito singular pelo fundo de investimento Vision Fund da Softbank.

Quase 100 mil milhões de dólares é o valor captado e investido em dois anos pelo fundo de investimento da SoftBank. Este valor é 5 vezes superior ao segundo maior fundo do mundo, o Blackstone V Fund.

Masayoshi San, através do Vision Fund da SoftBank e da sua visão de um mundo cada vez mais conectado, tem a capacidade de decidir se faz chuva ou sol no mundo das grandes Startups tecnológicas e é um investidor de referência em gigantes digitais como a Alibaba, Uber, WeWork, Didi e Slack.

No entanto, após resultados iniciais impressionantes, a SoftBank está a passar por um período de turbulência, onde a maior tempestade teve origem na WeWork, a empresa que quase sofreu falência, apesar dos 2 mil milhões investidos pelo fundo. 

Vision Fund da SoftBank, o maior fundo de investimento do mundo

Fundada em 1981, a empresa presenciou as quatro fases da revolução da informação: computador e software; Internet; Mobile; e hoje, Inteligência Artificial e Internet of Things (IoT). Embora a SoftBank tenha como negócio principal as telecomunicações, sempre foi um investidor muito ativo no setor da tecnologia. O crescimento e as transformações da empresa devem-se, essencialmente,  a fusões e aquisições, uma estratégia que foi acelerada com a criação do Vision Fund em 2017. Atualmente, a SoftBank é designada no Japão como Kereitsu, ou seja, um consórcio onde as relações e ações comerciais de diferentes empresas se sobrepõem para criar sinergias poderosas. 

O Vision Fund da SoftBank – o maior fundo de investimento do mundo, com 98,6 mil milhões de dólares – foi rapidamente criado com a ajuda de um pequeno número de parceiros. Mais de 90% dos fundos são provenientes de fundos soberanos, como o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, Mubadala e da SoftBank. O poder da operadora de telecomunicações SoftBank conta com um fluxo de caixa estável e suporta o Vision Fund com até um terço dos investimentos, uma garantia adicional e um forte sinal de compromisso para os outros investidores.

Os pilares estratégicos da Softbank

Em primeiro lugar, a SoftBank investe em grandes empresas digitais cujos modelos de negócio e tecnologias são fortes tendências a longo prazo. Para a SoftBank, o potencial de crescimento é mais importante do que a rentabilidade (de curto prazo). Ao dia de hoje, 66% das empresas nas quais a SoftBank investiu são ou tornar-se-ão unicórnios – empresas avaliadas em pelo menos mil milhões de dólares – e a maioria destas não é rentável. A SoftBank, por exemplo, comprou a ARM, líder em processadores, investiu na Uber e na Grab, que de destacam no mercado de serviços on-demand sob o modelo de super App.

Da mesma forma que a revolução de informação não tem fronteiras, os investimentos da SoftBank estão espalhados pelo mundo: 56% nos Estados Unidos, 12% na China, 11% na Índia, 9% na Europa e 6% no Sudeste Asiático e América do Sul (de acordo com a CBInsights, de 2014 a março de 2019, esta seria a divisão % por empresa dos investimentos da SoftBank).

Para a SoftBank o capital é uma vantagem competitiva. 

A Softbank investe em “campeões” e também ajuda a criar campeões em mercados tecnológicos dinâmicos caracterizados pelo “The winner takes it all” e com efeitos de rede.

A SoftBank investiu em 20 empresas mais de mil milhões de dólares por round e ultrapassa consistentemente 100 milhões de dólares (um valor próximo do valor médio de um fundo de investimento).

Por fim, a estratégia criação de sinergias entre os seus investimentos também é fundamental. A SoftBank desenvolve uma rede de parcerias estratégicas, relações comerciais e de capital. A WeWork fechou contratos com a Uber e a Yahoo Japão.A Yahoo Japão fez uma parceria com a empresa de pagamentos indiana Paytm para criar o PayPay, que é um dos atuais líderes de pagamentos móveis no Japão e a Yahoo Japão também se juntou com a Line para criar uma SuperApp regional.

A SoftBank vai ainda mais longe, uma vez que algumas das empresas em que o fundo investe – incluindo Grab, Uber, Didi e Ola – têm participações cruzadas.

Quebrar os códigos do capital de risco: uma força ou um calcanhar de Aquiles?

A questão é se o SoftBank não está superexposto com as grandes apostas que fez e, portanto, se há um risco de efeito dominó.

No total, investiu 76 mil milhões de dólares no curto espaço de 2 anos, levantando-se a questão da diversificação da carteira de investimento, só no mercado de transporte on-demand foram investidos 20 mil milhões de dólares na Uber, Didi, Grab e Ola.

Investir tanto e tão rapidamente, também é um risco para o retorno do investimento. O IPO torna-se a porta de saída privilegiada, ou a única alternativa para a SoftBank, uma vez que, considerando o ciclo de vida das Startups, o fundo investe normalmente numa fase mais avançada (Serie E). Segundo as estimativas da FABERNOVEL, o valor total das empresas participadas pela SoftBank é de 387 mil milhões de dólares, ou seja,  140% do mercado mundial de IPOs no setor de tecnologia (média dos últimos 5 anos). Podemos, portanto, perguntar se não teremos um efeito de saturação se todas as empresas do portfólio da Softbank avançarem para IPO.

Por outro lado, a SoftBank parece ser demasiado relaxada no modelo de liderança ao assinar um “cheque em branco” nas empresas em que investiu onde tem ações dos fundadores com direitos de voto elevado ou mesmo na gestão de conflitos de interesses: por exemplo na indonésia, a SoftBank insistiu na fusão entre a Grab e a Uber para que estas não iniciassem uma guerra de preços.

Por último, a SoftBank investiu sozinha e sucessivamente em determinadas empresas sem atrair outros investidores. Nenhuma avaliação externa chegou a avançar, esta será a afirmação que melhor ilustra o facto da SoftBank ter criado a sua própria bolha. Por exemplo, o caso da WeWork: a SoftBank sustentou (sozinha) várias centenas de milhões de dólares. A avaliação da WeWork, estabelecida pela SoftBank em 47 mil milhões, caiu para 8 mil milhões de dólares.

Qual será o futuro da SoftBank?

Ao dia de hoje e apesar dos contratempos, os primeiros resultados apresentados pelo fundo parecem positivos. No entanto, só com o decorrer do tempo e após analisar toda a carteira de investimento é que teremos a capacidade de concluir o desempenho do fundo e a relevância da sua estratégia. Uma coisa é certa, a SoftBank não tem condições para aguentar mais um caso como o da WeWork.”


Joachim Renaudin, Lead Analyst na Fabernovel

Numa altura em que o ecossistema Europeu de inovação precisa de mais poder financeiro para chamar as grandes empresas tecnológicas, o caso da SoftBank é interessante. Um modelo de inovação em escala baseado numa visão a longo prazo, uma aceitação do risco e uma estratégia agressiva de investimento focada no desenvolvimento de sinergias entre as empresas do Fundo. Mas também um exemplo algo perturbador caracterizado por excessos. Assim, a SoftBank pode servir como fonte de inspiração para os nossos principais grupos e investidores europeus, que estão a criar ou a rever os seus esquemas de investimento com o objetivo de fazerem surgir um modelo alternativo. A Europa precisa da sua SoftBank. “



Jean-Christophe Liaubet, Directeur Associé chez Fabernovel

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