FABERNOVEL | GAFAnomics: Resultados [3º trimestre de 2019]
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GAFAnomics: Resultados [3º trimestre de 2019]

19 de Nov de 2019

Neste GAFAnomics: Resultados, fazemos uma análise aos resultados do terceiro trimestre de 2019 e aos principais movimentos estratégicos das empresas que lideram a nova economia.

Embora o setor de tecnologia tenha impulsionado os índices das bolsas de valores, desde o início do ano, com uma valorização de 33%, o terceiro trimestre (31 de julho de 2019 a 31 de outubro de 2019) foi bastante decepcionante, com uma performance de apenas 2%. O valor das ações no terceiro trimestre caiu em todas as empresas Tech que entraram recentemente em bolsa, independentemente dos seus resultados e por três razões:

  • Os recentes receios dos investidores de uma desaceleração económica;
  • O receio de uma bolha tecnológica, justificada pelos numerosos IPOs com um valor muito elevado de empresas que ainda não são rentáveis;
  • A falta de confiança na liderança e nas ambições da administração (relacionadas à comunicação financeira) como, por exemplo, o cancelamento do IPO da WeWork, o facto de Elon Musk, CEO da Tesla, ter sido processado por fraude e a tentativa de Mark Zuckerberg de seduzir o Congresso dos EUA.

A capitalização bolsista do Slack, por exemplo, caiu de 24 mil milhões de dólares, quando entrou em bolsa, para 12 mil milhões de dólares (-50%).

No top: A Tesla continua de pé e pronta para Xangai

A Tesla tem contrariado as previsões dos analistas e apresentou um crescimento 54% na margem neste trimestre, em comparação ao ano anterior. A empresa anunciou que a sua nova fábrica “Gigafactory”, em Xangai, já começou os testes de produção e deverá estar operacional mais cedo do que o esperado, tal como o início da produção do Model Y.

Como referimos no Gafanomics – Resultados do 2º trimestre de 2019, a Tesla focou-se na produção e na entrega do Model 3, o que resultou num recorde de 97.000 veículos entregues no terceiro trimestre. Apesar deste forte desempenho, a receita da Tesla caiu 8%, pela diminuição do preço médio de venda.

O flop: As receitas e os resultados do Twitter caíram violentamente

Os maus resultados anunciados pelo Twitter, a 24 de outubro, provocaram uma descida de 20% nas ações, sobretudo devido a problemas com o seu serviço que permite aos anunciantes promover aplicações (Mobile Application Promotion). Esta tendência pode manter-se, de acordo com o Twitter. Para além de afetar as receitas no terceiro trimestre e as receitas futuras (falta de confiança dos anunciantes na tecnologia do Twitter de publicidade segmentada), esta situação também prejudica a imagem da empresa. Ao utilizar os dados privados dos utilizadores para tornar os anúncios mais relevantes, o Twitter quebrou a confiança dos seus utilizadores e clientes.

A surpresa: a descida das ações da Zoom apesar dos excelentes resultados 

Zoom, uma empresa americana de serviços de videoconferência SaaS (software-as-a-service), surpreendeu com um crescimento de 96%, em relação ao trimestre anterior, 12% acima das expectativas dos analistas, de acordo com a Factset. A Zoom é um dos poucos unicórnios que se tornou rentável, antes do IPO: mais de 70% das empresas de tecnologia que entraram em bolsa em 2019 não eram rentáveis. Mas os investidores no terceiro trimestre foram mais exigentes, fazendo com que, apesar do anúncio destes bons resultados, a cotação das ações da Zoom caísse 16%.

Foco: Questões éticas, a espada de Dâmocles sobre os gigantes digitais

Analisámos também questões éticas relacionadas com os modelos das gigantes digitais.

Se, por um lado, todas estas empresas de tecnologia construíram um modelo centrado no utilizador e se tornaram incontornáveis, por outro, falharam na questão da confiança. A hashtag #DeleteFacebook, após o encontro secreto de Mark Zuckerberg com conservadores influentes, o escândalo ligado ao facto de a Apple ouvir conversas através da Siri, ou as revelações sobre o impacto da destruição de milhões de produtos com pequenos defeitos que não são vendidos na Amazon são exemplos que mostram que os utilizadores querem recuperar o poder sobre o relacionamento que têm com as marcas.

Estas situações são intrínsecas ao modelo centrado no utilizador destas empresas e provocam alguns desequilíbrios:

  • A recolha de dados para uma experiência mais personalizada pode conduzir a abusos e problemas relacionados com a proteção de dados.
  • A experiência do utilizador (UX) pode conduzir a um fenómeno de dependência e à criação de novas utilizações, por vezes supérfluas, que não satisfazem necessidades essenciais, como a entrega 24 horas por dia, contribuindo para a poluição urbana.
  • O rápido ciclo de inovação de produtos tecnológicos que resulta numa obsolescência programada cada vez mais precoce (embora já proibida pela lei artigo L. 213-4-1 do Código do Consumidor) ou na falta de controlo por parte dos utilizadores.
  • O efeito de rede destas empresas cria monopólios.
  • A liderança muitas vezes restritiva pode ilustrar uma falta de contrapoder (vários parceiros relevantes abandonaram o projeto de criação da criptomoeda Libra, devido à omnipresença do Facebook e do seu fundador Mark Zuckerberg).

Esta situação começou a pressionar os reguladores no sentido de adotarem uma abordagem que oscila entre multas e tentativas de criação de novas leis, muitas vezes dificultada pela necessidade de encontrar uma solução global.

Sob pressão, os gigantes da nova economia reagem. A Google começou a abordar a questão dos dados pessoais com o lançamento de um modo privado no Google Maps; o Facebook está a testar a eliminação do número de likes no Instagram; e o Twitter anunciou que vai proibir a publicidade política. Mas serão estas iniciativas suficientes para restaurar a confiança? Estas empresas têm os recursos técnicos e financeiros, bem como o alcance global para se tornarem empresas éticas de excelência e com um impacto social real.

Enquanto isso, vão surgindo novos modelos de negócio centrados nesta mudança de paradigma. O Brave Browser protege a privacidade dos utilizadores e permite bloquear anúncios, o motor de busca Qwant baseia o seu modelo de negócio no clique ao invés de dados e a plataforma de viagens Fairbnb promove um modelo colaborativo e a sustentabilidade. A dificuldade destes modelos continua a ser escalar. Mas o design de produtos e serviços com uma abordagem de impacto global deve ser uma fonte de inspiração para trazer à tona modelos que sejam económica e eticamente eficientes.

*Empresas analisadas este trimestre: Apple, Microsoft, Samsung, Alphabet, Tesla, Salesforce, Snap, Baidu, Spotify, Lyft, Square, Zoom, Twitter, Paypal, Netflix, Uber, Amazon e Tencent.

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