FABERNOVEL | GAFAnomics: The Quarterly [2º trimestre de 2019]
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GAFAnomics: The Quarterly [2º trimestre de 2019]

Neste GAFAnomics: The Quarterly, fazemos uma análise aos resultados do segundo trimestre de 2019 e aos principais movimentos estratégicos das empresas que lideram a nova economia. 

O sol continua a brilhar no mercado Tech, que foi o segundo setor com melhor performance nos EUA, nos últimos três meses, apenas superado pela Saúde. Num contexto favorável dos mercados financeiros, apaziguado pelas baixas taxas de juro, mas sensível aos tweets de Donald Trump na guerra comercial [com a China], os gigantes da nova economia tiveram um bom segundo trimestre de 2019: cerca de 60% das empresas da nossa amostra de 20 empresas cumpriram ou superaram as expectativas (contra cerca de 50% do S&P 500).

Jean-Christophe Liaubet, Partner da FABERNOVEL



Na nossa análise encontrámos três tendências comuns nas estratégias dos gigantes da nova economia.

Em primeiro lugar, um maior foco no crescimento das receitas em detrimento da rentabilidade. As empresas da nossa *amostra registaram um crescimento médio de 22% das receitas no segundo trimestre, mas um decréscimo de 4% nos resultados operacionais.

A segunda tendência é o desempenho sustentado do modelo de publicidade online. Além do ‘regresso’ em força do Snapchat, os resultados operacionais da Alphabet e do Facebook não têm sido nada afetados pela crescente desconfiança dos utilizadores em relação à utilização dos seus dados.

Em terceiro lugar, a dinâmica nas estratégias de diversificação. O Facebook anunciou a Libra, uma criptomoeda que reflete o desejo da empresa de diversificar o seu modelo de negócio, que atualmente depende 98% da publicidade online, e de se aproximar do modelo super-app (pode saber mais sobre este modelo no estudo WeChat, the shape of the connected China).

Este trimestre também foi marcado pelo aumento da pressão regulatória sobre os GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft), com a multa recorde de 5 mil milhões de dólares imposta ao Facebook e a abertura de uma nova investigação, pela Federal Trade Commission, sobre as suas recentes aquisições. Em França, foi também aprovado um novo imposto de 3% sobre a receita dos GAFA (Google, Apple, Facebook e Amazon).

Também é cada vez mais claro que a área da Saúde é o novo El Dorado dos gigantes da nova economia 

O mercado da saúde deverá atingir os 10 mil milhões de dólares em 2022 e é uma indústria vital para o futuro da humanidade.

Os players tradicionais, ainda atrasados e dependentes exclusivamente de aquisições para suportar o seu crescimento, estão a começar a ser pressionados por novas startups e gigantes digitais que veem a saúde como um novo mercado a explorar. Estes novos players pretendem propor soluções rápidas para os problemas existentes, aproveitando as infraestruturas existentes para melhorar a nossa qualidade e estilo de vida, como por exemplo:

  • Melhorias ao nível do corpo: Exosqueleto, realidade aumentada ou modificação do ADN.
  • Wearables: Relógios conectados à Apple, adesivos e aparelhos auditivos.
  • Detecção de doenças: Machine Learning e Inteligência Artificial para deteção de cancro, através de tecnologia da Google e da IBM, reconhecimento de voz para detetar problemas respiratórios, através de tecnologia da Amazon.
  • Percurso do paciente: Dados de saúde, transporte de pacientes através da Uber, por exemplo.
  • Melhoria contínua das práticas: Tencent alivia a congestão hospitalar facilitando a marcação de consultas directamente através do WeChat.


Ainda que a proteção dos dados pessoais continue a ser um desafio para permitir que as empresas tecnológicas penetrem no mercado dos cuidados de saúde, as empresas tradicionais estão a responder através do investimento em Investigação e Desenvolvimento, do lançamento de iniciativas inovadoras – embora não sejam disruptivas – e da criação de parcerias entre pares ou com estes gigantes digitais. A Sanofi, por exemplo, fez uma parceria com a Verily, uma subsidiária da Alphabet, para criar o Onduo, uma App que ajuda os pacientes a monitorizar melhor a diabetes. A Sanofi alia o seu know-how e recursos aos métodos de trabalho ágeis e ao espírito empreendedor da Verily.

Para além dos interesses financeiros deste mercado, esta é uma oportunidade para as gigantes digitais mudarem a sua imagem e desenvolverem ainda mais a sua responsabilidade social, tornando a tecnologia um bem comum, ou seja, “Tech for Good”.

Neste segundo trimestre de 2019, destacamos também a entrada em bolsa de três empresas:

  • Slack, que atingiu uma valorização de 23 mil milhões de dólares e ao qual dedicámos um estudo – Slack the future workplace que analisa as 3 estratégias que permitiram o seu sucesso;
  • CrowdStrike, uma empresa de cibersegurança, avaliada em mais de 6 mil milhões de dólares, no momento do IPO, e cujo valor das ações mais do que duplicou em relação ao valor das ações no IPO;
  • Fiverr, um marketplace online de freelancers de serviços.


ANÁLISE DE RESULTADOS


No top: Alphabet, em recuperação no 2º trimestre

Após um primeiro trimestre dececionante, os resultados financeiros da empresa-mãe da Google no segundo trimestre de 2019 superaram as expectativas dos analistas, com custos de aquisição de tráfego (Traffic Acquisition Cost, TAC, na sigla em inglês) por receita publicitária inferiores aos do ano anterior. O TAC é o que a Alphabet investe para que as empresas escolham os serviços da Google e ilustra, assim, a saúde do seu modelo.

A empresa também registou um aumento significativo noutras fontes de receita, impulsionadas principalmente pela venda de serviços de cloud e suportadas pela venda de produtos de hardware, graças ao lançamento do novo smartphone Pixel 3a. Estas fontes de receita geraram 6,18 mil milhões de dólares, um aumento de 39,5% face ao ano anterior, contribuindo com 28% para o crescimento das receitas totais do grupo.


O flop: Amazon, abaixo das expectativas

A Amazon habituou os investidores a alcançar (e muitas vezes exceder) as suas previsões, mas desta vez o seu resultado operacional foi muito inferior ao esperado (3,2 mil milhões de dólares em vez dos 3,7 mil milhões de dólares esperados). Os custos de gestão da empresa mostraram que os investimentos para efetuar entregas de encomendas em menos de um dia têm um impacto significativo na margem da Amazon.

A Amazon também registou um crescimento mais lento na receita do serviço cloud AWS (Amazon Web Services), em relação aios últimos 5 anos. No entanto, este abrandamento deve ser relativizado, uma vez que cresceu 37% e ainda assim é muito superior ao crescimento de 17% do negócio cloud da Microsoft.

Por último, como resposta ao imposto sobre as receitas em França, a Amazon informou que as suas margens não permitem suportar este novo imposto e, por isso, vai passar este custo para as empresas francesas que vendem através da sua plataforma.


A surpresa: Netflix desce na bolsa

O valor das ações do Netflix caiu 10%, na sequência do decréscimo de 126 mil subscritores nos EUA e de ter conquistado globalmente apenas mais 2,7 milhões de novos assinantes quando eram esperados mais 5 milhões. As principais razões são o aumento do valor de subscrição do serviço em algumas regiões e a chegada de novos players, como a Disney, a WarnerMedia e a NBCUniversal, no final do ano, num mercado já altamente competitivo.

No entanto, em termos financeiros, a Netflix apresentou resultados melhores do que os esperados, com um volume de negócios de 4,9 mil milhões de dólares no segundo trimestre de 2019, um crescimento de 26% em relação a 2018.

O confronto: Microsoft passa à ofensiva contra a Slack

Pela primeira vez, a Microsoft decidiu revelar o número de utilizadores diários ativos do Microsoft Teams através da publicação de um gráfico que compara o crescimento de utilizadores com o Slack, três semanas após a entrada em bolsa do Slack. Este gráfico mostra o rápido crescimento do Microsoft Teams que tem quase mais 3 milhões de utilizadores do que o Slack.


*Amostra de empresas analisada neste trimestre: Uber, Baidu, Tencent, Twitter, Tesla, Apple, Lyft, Microsoft, Zoom, Amazon, Paypal, Netflix, Spotify, Google, Samsung, Salesforce, Alibaba, Square, Facebook e Snap.

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